Como a reforma tributária vai aumentar impostos para empresas de serviços
Entenda como a reforma tributária impactará empresas de serviços com alíquotas de até 28% e descubra estratégias para minimizar custos tributários.
David Melo
2/14/20264 min read


O novo modelo: IBS e CBS substituem cinco tributos
A reforma tributária cria dois novos impostos que substituirão PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). À primeira vista, trocar cinco tributos por dois parece positivo. O problema está na alíquota-padrão estimada, que deve ficar entre 26% e 28%, tornando-se uma das mais altas do mundo.
Para empresas de serviços, historicamente beneficiadas por regimes especiais e alíquotas reduzidas, esse novo modelo representa um choque tributário considerável. Setores como tecnologia, consultoria, educação, saúde e serviços profissionais em geral enfrentarão aumentos expressivos em sua carga tributária.
Por que as empresas de serviços serão mais impactadas?
A resposta está na sistemática atual versus a nova proposta. Hoje, muitas empresas de serviços conseguem se enquadrar em regimes tributários favorecidos, como o Simples Nacional ou o Lucro Presumido, com alíquotas efetivas que variam entre 6% e 16%, dependendo da atividade e do faturamento.
Com a reforma, a tendência é que essas alíquotas reduzidas deem lugar à alíquota-padrão do IVA dual (IBS + CBS). Mesmo com as exceções e reduções prometidas para alguns setores específicos, a conta não fecha favoravelmente para a maioria dos prestadores de serviços.
Além disso, diferentemente da indústria e do comércio, que podem se beneficiar do sistema de créditos tributários sobre insumos e matérias-primas, empresas de serviços têm estrutura de custos baseada principalmente em pessoal e despesas operacionais, gerando menos créditos a compensar.
Setores na linha de frente do impacto
Tecnologia e desenvolvimento de software: Empresas de TI que hoje pagam entre 6% e 11,33% no Simples Nacional poderão ver suas alíquotas quase triplicarem.
Consultorias e serviços profissionais: Escritórios de contabilidade, advocacia, engenharia e consultorias diversas enfrentarão aumento substancial, especialmente aqueles que faturam acima do limite do Simples.
Educação privada: Escolas e cursos que hoje contam com imunidades ou reduções específicas terão que se adequar ao novo modelo, com possível repasse aos consumidores.
Serviços de saúde: Clínicas, laboratórios e hospitais particulares precisarão reavaliar completamente sua estrutura de preços e margens.
Alternativas estratégicas para economizar na nova era tributária
Diante desse cenário desafiador, empresas de serviços precisam agir proativamente. Aqui estão estratégias fundamentais para minimizar o impacto:
1. Revisão completa do planejamento tributário
O primeiro passo é realizar um diagnóstico detalhado da situação atual versus o cenário futuro. Simular diferentes cenários de tributação permitirá identificar o melhor regime tributário para cada fase da transição e após a implementação total da reforma.
2. Reestruturação societária
Em alguns casos, a divisão de atividades em empresas distintas ou a criação de holdings pode permitir aproveitar benefícios específicos de cada regime. Essa estratégia requer análise criteriosa e deve estar alinhada às regras anti-elisivas da legislação.
3. Maximização de créditos tributários
Embora empresas de serviços tenham menos créditos que indústrias, ainda é possível otimizar. Investimentos em tecnologia, infraestrutura, treinamentos e até alguns insumos podem gerar créditos aproveitáveis no novo sistema. A gestão eficiente desses créditos será diferencial competitivo.
4. Revisão de contratos e precificação
A transição tributária exige revisão completa da política de preços. Contratos de longo prazo precisam ter cláusulas que prevejam reajustes decorrentes de mudanças tributárias. A precificação deve incorporar a nova realidade fiscal sem comprometer a competitividade.
5. Investimento em tecnologia e automação
Sistemas integrados de gestão (ERP) com módulos fiscais atualizados serão essenciais para calcular corretamente os novos tributos, gerenciar créditos e manter a conformidade. A automação reduz erros e custos operacionais, compensando parcialmente o aumento tributário.
6. Análise de mudança de regime tributário
Com a reforma, alguns regimes podem se tornar mais vantajosos que outros dependendo do perfil da empresa. Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real terão dinâmicas diferentes no novo sistema. Avaliar periodicamente qual regime oferece menor carga é fundamental.
7. Aproveitamento de incentivos setoriais
A reforma prevê tratamentos diferenciados para alguns setores. Identificar se sua empresa se enquadra em alguma categoria beneficiada e estruturar operações para maximizar esses benefícios pode gerar economia significativa.
8. Controles internos robustos
A complexidade do período de transição (que será gradual até 2033) exige controles internos rigorosos. Documentação adequada, conciliações frequentes e auditorias preventivas evitarão problemas fiscais e aproveitarão todas as oportunidades legais de economia.
O período de transição: oportunidade e desafio
A reforma não será implementada de uma vez. O período de transição, que se estende até 2033, permite que empresas se adaptem gradualmente. Essa janela de tempo é preciosa para:
● Testar diferentes estruturas tributárias
● Renegociar contratos com clientes e fornecedores
● Investir em sistemas e capacitação
● Construir reservas financeiras para absorver o impacto
● Buscar eficiências operacionais que compensem o aumento de impostos
Empresas que enxergarem esse período como oportunidade de transformação, e não apenas como ameaça, sairão na frente da concorrência.
A importância da assessoria especializada
Navegar pela reforma tributária sem apoio especializado é como dirigir em rodovia desconhecida sem GPS. A complexidade das mudanças, as oportunidades escondidas e os riscos de não conformidade tornam essencial contar com profissionais experientes em planejamento tributário e controladoria.
Uma consultoria especializada pode:
● Realizar diagnóstico preciso do impacto para sua empresa
● Identificar oportunidades específicas de economia tributária
● Estruturar o melhor modelo de negócio para o novo cenário
● Implementar controles e sistemas adequados
● Acompanhar toda a transição, ajustando estratégias conforme necessário
● Garantir conformidade legal e evitar riscos fiscais
Conte com nossa expertise para enfrentar esse desafio
A reforma tributária representa um dos maiores desafios fiscais das últimas décadas para empresas de serviços. Mas com planejamento adequado, estratégias inteligentes e assessoria especializada, é possível não apenas sobreviver, mas prosperar nesse novo cenário.
Nossa consultoria está preparada para ajudar sua empresa a navegar por essas mudanças. Com expertise em planejamento tributário, controladoria e gestão financeira, desenvolvemos soluções personalizadas que minimizam impactos e maximizam oportunidades.
Não espere a reforma chegar para agir. Entre em contato conosco e agende uma análise estratégica da sua situação tributária. Juntos, vamos transformar esse desafio em vantagem competitiva para o seu negócio.
David Melo Controller - Transformando complexidade tributária em estratégia de crescimento.
A informação é o primeiro passo para a economia tributária inteligente. Compartilhe este artigo com outros empresários e gestores que precisam se preparar para a reforma.
