Por que os empresários estão indo para o Paraguai?
Impostos de 10%, encargos seis vezes menores e renda externa isenta: o paraíso fiscal que fica a poucas horas do Brasil
David Melo
1/6/202614 min read


Um movimento silencioso, mas consistente, tem chamado a atenção de analistas econômicos e autoridades brasileiras: cada vez mais empresários estão cruzando a fronteira e estabelecendo seus negócios no Paraguai. Não se trata apenas de pequenos comerciantes em busca de produtos mais baratos, mas de empresários de médio e grande porte que enxergam no país vizinho uma alternativa viável para escapar do sufocante ambiente de negócios brasileiro. Mas o que está por trás dessa migração empresarial?
A carga tributária que expulsa empresas
O principal motivo que leva empresários a olharem para o Paraguai é, sem dúvida, a brutal diferença na carga tributária. Enquanto no Brasil as empresas podem pagar entre 30% e 40% de impostos sobre o faturamento (dependendo do regime e do setor), no Paraguai a realidade é drasticamente diferente.
O Imposto de Renda sobre Sociedades (IRACIS) no Paraguai é de apenas 10% sobre o lucro líquido. O IVA (equivalente ao nosso CBS/IBS) tem alíquota padrão de 10%, podendo ser de 5% para determinados produtos. Não existem contribuições previdenciárias patronais nos moldes brasileiros, e a burocracia tributária é significativamente menor.
Para ilustrar com números reais: uma empresa de serviços que fatura R$ 1 milhão por ano no Brasil, dependendo do regime tributário, pode pagar entre R$ 160 mil e R$ 330 mil em impostos. A mesma empresa no Paraguai, com estrutura adequada, pagaria algo próximo de R$ 100 mil – uma economia que pode significar a diferença entre sobreviver e prosperar.
O segredo tributário que poucos conhecem: renda territorial
Um dos aspectos mais atrativos e menos divulgados da legislação paraguaia é o princípio da territorialidade tributária. Isso significa que o Paraguai tributa apenas a renda gerada dentro de seu território. Rendimentos obtidos fora do país, como investimentos internacionais, royalties, dividendos de empresas no exterior ou ganhos de capital em outros países, não são tributados no Paraguai.
Para empresários que operam globalmente ou que possuem investimentos diversificados internacionalmente, essa característica representa uma vantagem competitiva extraordinária. Uma empresa sediada no Paraguai pode receber dividendos de subsidiárias no Brasil, Europa ou Ásia sem pagar impostos sobre esses valores no país sede.
Essa estrutura permite que grupos empresariais estabeleçam holdings no Paraguai que centralizam participações em empresas de diversos países, pagando impostos apenas sobre operações locais paraguaias. É uma estratégia de planejamento tributário internacional legal e amplamente utilizada por corporações multinacionais.
Casos reais: empresas brasileiras que fizeram a travessia
O fenômeno não é mais teoria ou especulação. Diversas empresas brasileiras já concretizaram a mudança para o Paraguai, e seus casos ilustram bem as motivações e resultados desse movimento.
Lupo: a gigante da moda íntima
A Lupo, tradicional marca brasileira de meias, lingerie e moda íntima com mais de 90 anos de história, estabeleceu operações fabris no Paraguai em 2013. A empresa inaugurou uma fábrica em Limpio, região metropolitana de Assunção, com investimento inicial de US$ 10 milhões.
A motivação foi clara: reduzir custos de produção para competir com produtos asiáticos. No Paraguai, a Lupo encontrou energia elétrica 60% mais barata, encargos trabalhistas cinco vezes menores e carga tributária significativamente reduzida. A empresa manteve sua sede e centro de design no Brasil, mas transferiu parte relevante da produção.
O resultado foi tão positivo que a Lupo expandiu suas operações paraguaias nos anos seguintes, tornando-se uma das maiores empregadoras industriais da região. A empresa hoje exporta produtos fabricados no Paraguai para diversos países sul-americanos, aproveitando acordos comerciais do Mercosul.
Estrela: brinquedos com custos competitivos
A Estrela, ícone brasileiro da indústria de brinquedos desde 1937, também migrou operações para o Paraguai. Pressionada pela concorrência de produtos chineses baratos e pelos custos crescentes no Brasil, a empresa estabeleceu fábrica em território paraguaio.
A produção de itens como bonecas, jogos de tabuleiro e brinquedos educativos no Paraguai permitiu à Estrela reduzir custos em até 35%, mantendo a qualidade e a tradição da marca. A estratégia foi fundamental para a sobrevivência da empresa em um mercado altamente competitivo e dominado por importados asiáticos.
Kidy: uma história de renascimento
A Kidy, fabricante de brinquedos e artigos infantis, passou por dificuldades financeiras no Brasil e encontrou no Paraguai uma oportunidade de reestruturação. A empresa estabeleceu unidade fabril no país vizinho, reduzindo drasticamente seus custos operacionais.
A combinação de mão de obra mais barata, energia subsidiada e tributação reduzida permitiu que a Kidy não apenas sobrevivesse, mas voltasse a crescer. A empresa hoje produz linhas completas de produtos no Paraguai e exporta para vários países da América Latina.
Bracol: alimentos e derivados
A Bracol, empresa do setor alimentício especializada em produtos derivados de soja e outras commodities, também expandiu operações para o Paraguai. O país é o quarto maior exportador mundial de soja, e estabelecer operações locais permitiu à empresa acesso direto à matéria-prima com custos logísticos minimizados.
Além disso, a tributação favorável sobre exportações e a facilidade de escoamento da produção para mercados internacionais via portos argentinos fizeram do Paraguai uma base estratégica para as operações da Bracol na América do Sul.
Riachuelo: varejo com visão estratégica
A Riachuelo, uma das maiores redes de varejo de moda do Brasil, estabeleceu operações no Paraguai não apenas para produção, mas também como centro de distribuição estratégico. A empresa utiliza a estrutura paraguaia para importação de produtos têxteis asiáticos, aproveitando custos logísticos e tributários menores.
A Riachuelo também produz parte de suas linhas de vestuário em território paraguaio, aproveitando a mão de obra qualificada e os custos reduzidos. A estratégia permite à empresa manter preços competitivos no disputado mercado brasileiro de moda popular.
Fujiwara: tradição oriental, eficiência paraguaia
O Grupo Fujiwara, tradicional no setor de alimentos e laticínios, estabeleceu presença significativa no Paraguai. Com raízes na comunidade japonesa brasileira, o grupo viu no país vizinho uma oportunidade de expandir operações com custos controlados.
A empresa produz derivados de leite, bebidas e alimentos processados, aproveitando a abundância de matéria-prima agrícola paraguaia, energia barata e tributação favorável. Os produtos são exportados para diversos países, incluindo o Brasil, com margens de lucro significativamente maiores que seriam possíveis produzindo exclusivamente em território brasileiro.
Frigoríficos e proteína animal
Um dos casos mais emblemáticos é o da Minerva Foods, uma das maiores empresas de proteína bovina da América do Sul. A companhia expandiu significativamente suas operações no Paraguai, adquirindo frigoríficos e plantas industriais no país. A estratégia permitiu não apenas redução de custos operacionais e tributários, mas também acesso privilegiado ao mercado internacional, já que o Paraguai possui acordos comerciais vantajosos com diversos países.
A JBS, gigante do setor de carnes, também mantém operações robustas no Paraguai, com plantas industriais que processam milhares de toneladas de carne bovina. A empresa aproveita o custo menor de produção, energia mais barata e carga tributária reduzida para aumentar sua competitividade global.
O padrão comum nos casos de sucesso
Analisando os casos da Lupo, Estrela, Kidy, Bracol, Riachuelo e Fujiwara, percebe-se um padrão estratégico comum:
Manutenção da marca e gestão no Brasil - As empresas não "abandonaram" o país, mas criaram estruturas híbridas
Produção ou operações-chave no Paraguai - Aproveitando custos reduzidos e vantagens tributárias
Acesso ao mercado regional - Usando o Paraguai como plataforma de exportação para o Mercosul
Preservação de empregos qualificados no Brasil - Design, marketing, gestão e P&D permanecem em território brasileiro
Investimento gradual e planejado - Nenhuma empresa migrou completamente de uma vez, todas testaram o modelo antes de expandir
Agronegócio e produção de grãos
O agronegócio brasileiro tem presença marcante no Paraguai. Estima-se que brasileiros controlem cerca de 30% das terras agricultáveis do país vizinho. Grandes grupos agrícolas do Sul do Brasil estabeleceram operações de produção de soja, milho e trigo em território paraguaio.
Empresas como a Agrifirma e diversos grupos familiares do agronegócio gaúcho e paranaense migraram parte significativa de suas operações. O custo da terra no Paraguai pode ser até 70% menor que no Brasil, os insumos são mais baratos devido à menor carga tributária, e a burocracia ambiental, embora existente, é menos complexa.
Indústria e manufatura
A Neumarkt, tradicional empresa de laticínios do Rio Grande do Sul, estabeleceu operações no Paraguai para produção de leite em pó e derivados. A empresa descobriu que poderia produzir com custos 30% a 40% menores, mantendo a qualidade e acessando mercados internacionais com mais facilidade.
Tecnologia e serviços
O setor de tecnologia descobriu no Paraguai uma alternativa interessante. Embora não haja casos públicos de grandes empresas brasileiras de tecnologia migrando completamente, centenas de pequenas e médias empresas de software, desenvolvimento web e serviços digitais estabeleceram pessoas jurídicas paraguaias.
Essas empresas mantêm equipes no Brasil, mas faturam através de entidades paraguaias, reduzindo drasticamente a carga tributária. Com o trabalho remoto consolidado, a localização física da empresa perdeu relevância para muitos tipos de serviços. E aqui o princípio da territorialidade tributária se torna ainda mais relevante: receitas obtidas de clientes fora do Paraguai podem ter tratamento fiscal diferenciado.
Comércio e distribuição
Grandes redes de varejo brasileiras mantêm operações estruturadas no Paraguai, especialmente em Ciudad del Este. Embora muitas não divulguem publicamente por questões estratégicas, utilizam a estrutura paraguaia como hub logístico para importação de produtos eletrônicos, têxteis e utilidades domésticas.
A facilidade de importação no Paraguai, combinada com custos logísticos menores e tributação reduzida, permite que essas empresas sejam mais competitivas ao abastecer o mercado brasileiro.
Casos de pequenos e médios empresários
Além das grandes corporações, milhares de pequenos e médios empresários brasileiros estabeleceram negócios no Paraguai:
Postos de combustíveis e conveniências na região de fronteira
Clínicas e laboratórios médicos em Assunção, atendendo brasileiros e locais
Escolas e instituições de ensino voltadas para a comunidade brasileira
Empresas de consultoria e serviços profissionais que atendem clientes nos dois países
Startups e empresas de e-commerce que operam digitalmente para o mercado sul-americano
Holdings patrimoniais que centralizam investimentos internacionais aproveitando a territorialidade tributária
Custo Brasil versus custo Paraguai
Além dos impostos, o chamado "custo Brasil" torna a operação empresarial extremamente onerosa. Encargos trabalhistas que chegam a 100% sobre o salário do funcionário, energia elétrica entre as mais caras da América Latina, logística ineficiente e burocracia asfixiante compõem um ambiente hostil aos negócios.
No Paraguai, os encargos trabalhistas giram em torno de 16,5% sobre a folha de pagamentos – um sexto do praticado no Brasil. A energia elétrica é uma das mais baratas do continente, graças às usinas hidrelétricas de Itaipu e Yacyretá. A burocracia para abrir e manter uma empresa é consideravelmente menor, com menos obrigações acessórias e declarações a serem entregues mensalmente.
Os números que comprovam a migração
Dados oficiais revelam a dimensão desse fenômeno:
Mais de 500 mil brasileiros vivem no Paraguai, muitos deles empresários ou ligados a negócios
O investimento brasileiro direto no Paraguai cresceu 180% na última década
Brasileiros são proprietários de cerca de 8 milhões de hectares de terras paraguaias
Mais de 10 mil empresas com capital brasileiro operam formalmente no país
Ciudad del Este tem cerca de 30% de sua economia movimentada por empresários brasileiros
Mais de 50 empresas brasileiras de médio e grande porte possuem operações industriais no Paraguai
Setores que lideram a migração
Indústria têxtil e de confecções: Com cases como Lupo e Riachuelo, o setor têxtil encontrou no Paraguai condições ideais para competir com produtos asiáticos.
Indústria de brinquedos: Estrela e Kidy provaram que é possível manter marcas tradicionais vivas com produção paraguaia.
Agronegócio: Produtores rurais, especialmente do Sul do Brasil, têm adquirido terras paraguaias para produção de soja, milho e pecuária. O país oferece terras mais baratas, menos restrições ambientais burocráticas e custos operacionais reduzidos.
Alimentos e bebidas: Empresas como Bracol e Fujiwara aproveitam a abundância agrícola e custos industriais reduzidos.
Comércio e varejo: Empresas importadoras e distribuidoras aproveitam a estrutura mais simples de importação e a proximidade com Ciudad del Este para estabelecer bases logísticas eficientes.
Serviços e tecnologia: Empresas de software, consultorias e serviços digitais descobriram que podem operar remotamente para clientes brasileiros mantendo estrutura fiscal no Paraguai, aproveitando a territorialidade tributária.
A estratégia das holdings internacionais
O princípio da territorialidade tributária paraguaia tem atraído empresários brasileiros que estruturam holdings no país para centralizar investimentos globais. A estrutura funciona assim:
Cenário 1 - Sem holding paraguaia:
Empresário brasileiro recebe dividendos de empresas em diferentes países
Paga imposto de renda no Brasil sobre todos os rendimentos globais (até 27,5%)
Tributação sobre ganhos de capital em investimentos internacionais
Cenário 2 - Com holding paraguaia:
Holding no Paraguai detém participações em empresas de diversos países
Dividendos e ganhos de capital recebidos do exterior: tributação zero
Imposto apenas sobre operações dentro do Paraguai (10% sobre lucro líquido)
Possibilidade de reinvestir globalmente sem carga tributária
Essa estrutura é particularmente atraente para:
Empresários com negócios em múltiplos países
Investidores em mercado internacional
Grupos familiares com patrimônio diversificado globalmente
Empresas exportadoras que recebem em moeda estrangeira
A infraestrutura que surpreende
Contrariando o senso comum, o Paraguai tem investido significativamente em infraestrutura nas últimas décadas. Ciudad del Este, por exemplo, possui zona franca consolidada, aeroporto internacional, fibra óptica de alta velocidade e estrutura bancária moderna. Assunção, a capital, oferece qualidade de vida comparável a cidades brasileiras de médio porte, com custo de vida mais baixo.
Além disso, o Paraguai faz parte do Mercosul, o que facilita operações comerciais com o Brasil e outros países do bloco. A dolarização parcial da economia também atrai empresários que buscam proteção contra a volatilidade cambial brasileira.
O perfil do empresário migrante
Não é mais apenas o comerciante tradicional que busca o Paraguai. O novo perfil inclui:
Industriais tradicionais como Lupo, Estrela e Kidy que buscam sobrevivência e competitividade
Empresários de tecnologia que podem operar de qualquer lugar e escolhem a jurisdição mais favorável
Grupos de varejo como Riachuelo que usam o Paraguai como hub logístico
Produtores rurais em busca de expansão com custos controlados
Prestadores de serviços que atendem clientes internacionais aproveitando a territorialidade tributária
Investidores sofisticados que criam holdings patrimoniais para otimização fiscal global
Os desafios e riscos da operação
Importante ressaltar que essa migração não é isenta de desafios. Empresários precisam estar atentos a:
Questões legais: A Receita Federal brasileira monitora operações transfronteiriças. É fundamental que a mudança seja genuína, com substância econômica real no Paraguai, e não apenas uma "fachada" para evasão fiscal. As empresas citadas (Lupo, Estrela, etc.) estabeleceram operações reais com funcionários, fábricas e investimentos significativos.
Diferenças culturais e de idioma: Embora o Paraguai seja bilíngue (espanhol e guarani), as diferenças culturais e de práticas comerciais exigem adaptação.
Instabilidade política: O Paraguai tem histórico de instabilidade política que pode gerar insegurança jurídica em alguns momentos.
Infraestrutura limitada fora dos grandes centros: Além de Ciudad del Este e Assunção, a infraestrutura é mais limitada, o que pode dificultar alguns tipos de operação.
Percepção de mercado: Clientes brasileiros podem ter resistência inicial em negociar com empresas sediadas no exterior, embora marcas estabelecidas como Lupo tenham superado esse desafio.
Riscos de imagem: Empresas que migram podem ser mal vistas por parte da opinião pública brasileira, sendo acusadas de "abandonar" o país. A estratégia de manter sede e gestão no Brasil, como fazem as empresas citadas, minimiza esse risco.
Complexidade na aplicação da territorialidade: Embora a legislação seja clara sobre não tributar renda externa, é necessário estruturação adequada e documentação robusta para comprovar a origem dos recursos.
O que as autoridades brasileiras dizem
A Receita Federal e o Banco Central têm intensificado a fiscalização sobre empresas e pessoas físicas que mantêm operações no Paraguai. O objetivo é coibir a evasão fiscal e garantir que operações legítimas sejam devidamente declaradas.
As autoridades brasileiras reconhecem que operações como as da Lupo, Estrela e outras empresas citadas são legítimas, pois possuem substância econômica real. O problema está em estruturas fictícias criadas apenas para evasão fiscal.
Isso significa que empresários interessados nesse movimento precisam de assessoria especializada para garantir que todas as operações estejam em conformidade com a legislação de ambos os países, incluindo tratados internacionais, preços de transferência e obrigações declaratórias.
Alternativas antes da mudança radical
Antes de considerar a mudança para o Paraguai, empresários brasileiros devem esgotar alternativas de otimização tributária legítima dentro do Brasil:
Revisão completa do planejamento tributário atual
Análise de mudança de regime tributário
Reestruturação societária
Aproveitamento de incentivos fiscais regionais
Maximização de créditos tributários
Implementação de controles que reduzam desperdícios e custos operacionais
Em muitos casos, uma gestão tributária mais eficiente pode gerar economia significativa sem a necessidade de mudança de país.
O fenômeno como sintoma de problemas estruturais
A migração de empresários para o Paraguai é, na verdade, um sintoma de problemas estruturais profundos da economia brasileira. Quando empresas centenárias e tradicionais como Lupo, Estrela e Kidy precisam migrar operações para sobreviver, há algo fundamentalmente errado no ambiente de negócios.
Essa "exportação" de empresas representa perda de arrecadação futura, empregos que deixam de ser criados em território nacional e redução da base produtiva brasileira. É um ciclo vicioso: quanto mais empresas saem, menor a arrecadação, maior a pressão por aumento de impostos sobre quem fica, incentivando ainda mais saídas.
Os casos de sucesso dessas empresas mostram que essa não é uma estratégia apenas de sobrevivência, mas pode ser também de crescimento e expansão. Empresas que conseguiram se estabelecer adequadamente no Paraguai relatam não apenas economia tributária, mas também maior agilidade operacional e competitividade internacional.
O futuro desse movimento
Especialistas divergem sobre a sustentabilidade desse fenômeno. Alguns acreditam que é uma tendência que se consolidará, especialmente com a digitalização dos negócios tornando a localização física cada vez menos relevante. O princípio da territorialidade tributária torna-se ainda mais atrativo nesse contexto globalizado.
Outros argumentam que o Paraguai eventualmente precisará aumentar sua carga tributária à medida que desenvolve serviços públicos mais robustos, embora a tributação territorial tenda a ser mantida por ser princípio consolidado na legislação do país.
O que parece consenso é que, enquanto o Brasil mantiver um dos ambientes tributários mais hostis do mundo, combinado com infraestrutura deficiente e burocracia excessiva, haverá incentivo econômico para que empresários busquem alternativas além das fronteiras.
Planeje com inteligência e segurança
Se você é empresário e tem considerado essa possibilidade, é fundamental fazer um planejamento criterioso. A mudança para o Paraguai pode fazer sentido econômico, mas precisa ser estruturada adequadamente para evitar problemas fiscais e legais futuros.
Aspectos a considerar incluem:
Análise custo-benefício real, incluindo todos os custos diretos e indiretos
Estrutura legal adequada em ambos os países
Substância econômica real no Paraguai (não pode ser apenas estrutura de papel)
Conformidade com legislação brasileira sobre operações internacionais
Documentação adequada para comprovar origem de rendas externas
Planejamento sucessório e patrimonial
Estratégia de longo prazo que considere possíveis mudanças legislativas
Avaliação de riscos reputacionais e de imagem corporativa
Análise específica de como aproveitar a territorialidade tributária
Conte com especialistas para tomar a melhor decisão
A decisão de estabelecer operações no exterior é complexa e requer análise multidisciplinar envolvendo aspectos tributários, contábeis, jurídicos e estratégicos. Não é uma decisão que deve ser tomada com base apenas em "histórias de sucesso" ou promessas de economia milagrosa.
Nossa consultoria possui expertise em operações transnacionais e planejamento tributário internacional. Podemos ajudar você a:
Avaliar se a mudança para o Paraguai faz sentido para o seu perfil de negócio
Analisar a viabilidade de aproveitar o princípio da territorialidade tributária
Estruturar operações em conformidade com legislações de ambos os países
Implementar governança adequada para operações internacionais com substância econômica real
Analisar cases reais de empresas do seu setor que fizeram a transição (como Lupo, Estrela, Kidy, Bracol, Riachuelo e Fujiwara)
Garantir que você aproveite todas as alternativas de otimização disponíveis no Brasil antes de considerar mudança radical
Desenvolver estratégia híbrida que maximize benefícios em ambos os países
Estruturar holdings internacionais para otimização de investimentos globais
Garantir conformidade com regras de preços de transferência e tratados internacionais
Não tome decisões estratégicas sem informação qualificada. Agende uma consultoria estratégica e descubra qual o melhor caminho para o crescimento sustentável do seu negócio, seja no Brasil, no Paraguai ou em estrutura híbrida que aproveite o melhor dos dois países.
David Melo Controller - Estratégia tributária sem fronteiras para o seu negócio.
Conhece empresários considerando essa mudança? Compartilhe este artigo e ajude-os a tomar decisões informadas e seguras. O planejamento tributário internacional pode ser a diferença entre a estagnação e o crescimento do seu negócio.
